http://dn.sapo.pt/, 17 de noviembre de 2006
Militares dos três ramos das Forças Armadas vão mostrar nas ruas da capital a sua "indignação" pela forma como dizem estar a ser tratados pelo actual Governo. António Lima Coelho, presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS), confirmou ontem a marcação da mobilização dos militares para o próximo dia 23 de Novembro, no Rossio, em Lisboa.
Num período marcado por forte contestação social, muitas greves e manifestações, agora são elementos das Forças Armadas que querem demonstrar o seu descontentamento em relação às medidas governamentais que têm vindo a ser tomadas para o sector da Defesa. "O descontentamento é generalizado, abrange os vários ramos das Forças Armadas e atravessa as hierarquias", confessou o presidente da ANS.
Numa altura em que foram atribuídos, pelo Orçamento do Estado para 2007, cerca de 2050 milhões de euros às Forças Armadas – o que significa uma redução de 5,3 por cento no orçamento do Exército, 1,1 por cento no da Marinha e 4,5 por cento no da Força Aérea, em relação a este ano -, os militares querem "transmitir que aquilo que está a acontecer é um total desrespeito por parte do Governo em relação a compromissos assumidos anteriormente".
Apesar de recusar as acusações segundo as quais os militares não têm participado no esforço nacional que o Governo têm vindo a pedir aos portugueses, na tentativa de alcançar o equilíbrio financeiro, António Lima Coelho garante que "há princípios constitucionais que estão a ser feridos", como é o caso da assistência na doença. "Temos consciência de que é importante participar nesse esforço, e nunca nos furtámos a isso. Mas nós, que jurámos fazer cumprir a lei e defender a Constituição com a própria vida, não aceitamos que seja o Governo a não cumprir as suas promessas", afirma este militar.
O presidente da ANS considera, no entanto, "excessivo" falar em manifestação, "porque nelas há cartazes e são gritadas palavras de ordem. No caso dos militares será uma demonstração de mal-estar pela grave situação que o Governo está a impor cegamente à família militar", desabafa o sargento. Segundo António Lima Coelho, os militares no activo, na reserva ou na reforma irão "passear ao fim da tarde com as suas famílias nas ruas do Rossio". O uso da farda militar "ficará ao critério de cada um".
Recorde-se que, há cerca de ano e meio, em consequência de uma vigília realizada por militares, 26 deles foram alvo de processos disciplinares e de punições.
No entanto, o presidente da ANS considera que os militares não temem castigos, uma vez que "nada impede que venham para a rua, exibindo orgulhosamente as suas fardas, para passear com as famílias", declarou.